Na fermentação natural, o pão é feito com calma. Aqui, o tempo
não é um detalhe — é parte essencial da receita.
Ao longo de horas (às vezes um dia inteiro), leveduras selvagens e
bactérias benéficas, como as do gênero Lactobacillus,
transformam a massa de dentro para fora. Esse processo lento
desenvolve sabor, aroma e também muda a forma como o nosso corpo
digere o pão.
O glúten, por exemplo, não é uma única proteína, mas um conjunto —
principalmente gliadina e glutenina.
Durante a fermentação, essas estruturas passam por uma quebra natural,
sendo transformadas em partes menores. É como se a massa começasse a
ser digerida antes mesmo de ir ao forno.
O resultado é um pão mais leve, com textura equilibrada e um sabor
mais profundo, levemente ácido, cheio de nuances — impossível de
reproduzir com processos rápidos.
Além disso, o tempo também ajuda a liberar melhor os nutrientes da
farinha e contribui para uma conservação mais natural, sem a
necessidade de aditivos.
Um pão com mais verdade.
A fermentação natural respeita o ritmo dos ingredientes e valoriza
o essencial: farinha, água, sal e tempo.
— Por Eduardo Zaitz, fundador, formado em Gastronomia